[Noticia/Politica] Costa e Carmona aproximam estratégias

Started by tiagotex, July 13, 2007, 03:17:00 AM

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Costa e Carmona aproximam estratégias

A campanha acaba hoje. Costa vai à frente e abre a porta a aliança com Carmona.

Rita Tavares

Com a maioria absoluta para Lisboa pedida por António Costa fora de alcance, na candidatura socialista já transpiram soluções de governação. Por agora, tudo aponta para que a maioria de mandatos (nove) seja conseguida através de entendimentos pontuais e sobretudo com Carmona Rodrigues. Mas é preciso ver o resultado de todas as candidaturas para avaliar a possibilidade de entendimentos. Para já a  estratégia passa pela sua desvalorização.

Ontem, Carmona disse que ââ,¬Å"dificilmenteââ,¬Â fará uma coligação com Costa. Ora, essa hipótese também não estará nos planos do candidato do PS, afinal na memória ainda estão recentes os últimos meses de Carmona na câmara. Seria difícil de explicar, principalmente aos socialistas, uma harmonia em toda a linha tão cedo. E mais: os dois distanciam-se num ponto fundamental para Carmona, o novo aeroporto.

Na candidatura de Costa o desenho da distribuição de mandatos tem ainda demasiados pontos de interrogação para arriscar já uma solução fechada. Mas é praticamente unânime que a campanha oficial de Helena Roseta tem sido ââ,¬Å"anti-PSââ,¬Â, o que a coloca numa má posição para uma coligação pós-eleitoral com Costa. Aliás, a própria manifestou ontem uma condição de peso para uma futura aliança: ter o pelouro do urbanismo no futuro Executivo.

Roseta é uma solução possível para casos pontuais, mas o PS de Costa não confia a 100% na sua estabilidade. E o mesmo se aplica ao PCP, demasiado dependente de uma direcção nacional mais interessada em atacar o partido do poder.

Mais calado, no que a ataques ao PS diz respeito, tem estado Carmona. Estratégia para se aproximar de Costa? O próprio desmente, mas o que é certo é que Carmona foi o mais reservado dos candidatos adversários do PS quando se soube de um convite do Governo, a José Miguel Júdice (mandatário da campanha de Costa), para a reabilitação da frente Tejo. E mais ainda: defendeu o número dois de Costa, o arquitecto Manuel Salgado, na questão da incompatibilidade de funções de que era acusado, mais uma vez pela oposição em peso.

Por onde passou, António Costa gastou o pedido de uma maioria, que descreve como ââ,¬Å"ferramenta necessária para governarââ,¬Â. Será assim até hoje à noite, quando fechar a campanha ao lado de Sócrates - um herói socialista no que toca a maiorias. Mas Costa não pôde fazer o que Sócrates fez em 2005: não abrir sequer a porta à oposição. ââ,¬Å"Não excluirei ninguém que tenha disponibilidade para trabalhar de ter responsabilidades na câmaraââ,¬Â. As contas estão apertadas demais para riscar já opções, antes do último voto do próximo domingo.

Temperaturas altas fazem prever abstenção alta
Um dia de sol, a prometer temperaturas perto dos 30Ã,º graus centígrados, é a previsão meteorológica para o Domingo de eleições em Lisboa. Uma situação que poderá vir a constituir um motivo bastante forte para aumentar os números da abstenção em Lisboa. Em pleno meio do mês de Julho, quando os portugueses dão início às suas férias, estas eleições intercalares correm o risco de registar uma abstenção superior a 47%, se se tiverem em conta o números dos eleitores que não votaram nas últimas eleições autárquicas, em 2005. A abstenção tem vindo a aumentar desde 1976, quando este resultado se fixou nos 34%. Ainda assim, nas eleições de há dez anos, a abstenção ultrapassou os 50% de votantes, número mais alto desde o 25 de Abril de 1974. A partir de 1997, a abstenção diminuiu para 45%, em 2001, voltando a aumentar nas últimas eleições. As altas temperaturas dos últimos dias e a proximidade das férias dos lisboetas não deverão ajudar a uma corrida desenfreada às urnas.

Maior freguesia de Lisboa é social-democrata
Com 43948 eleitores, Santa Maria dos Olivais será a freguesia mais determinante nas eleições de domingo. Em 2005, o PSD v enceu com 37% dos votos, contra 31% do PS. Num concelho com pouco mais de 500 mil eleitores a eleição para Lisboa decide-se domingo sobretudo nas regiões periféricas da cidade. Santa Maria dos Olivais, na zona oriental da cidade, chegou a ser no século XIX sede de município, vindo depois a ser integrada em Lisboa. Apesar de ser na periferia que se concentram os eleitores, os candidatos apostaram mais no centro histórico e nos bairros tradicionais durante a campanha eleitoral. Na lista de recenseamento, depois de Santa Maria dos Olivais , segue-se Benfica (37.612), Marvila (35.660), Lumiar (30.990) e São Domingo de Benfica (29.107). A freguesia de Mártires é a que tem menos eleitores (382).

Troca de acusações marcou a campanha
A campanha começou com uma cisão partidária, Roseta trouxe a público o desentendimento com o PS, revelando que se prontificou a avançar como candidata socialista, através de uma carta enviada a Sócrates, à qual não obteve resposta. Mas ao longo da campanha, várias polémicas foram aquecendo o debate. A participação do arquitecto Manuel Salgado na lista de António Costa, foi alvo de acusações de ââ,¬Å"interesses imobiliáriosââ,¬Â, relativamente aos terrenos da Portela, por parte do líder do PSD. O PS foi alvo de outra polémica, esta semana, a propósito do convite feito pelo Governo a Júdice para liderar três sociedades responsáveis pela gestão abstenção da zona ribeirinha de Lisboa, antes de aceitar ser mandatário de António Costa. O CDS viu-se confrontado com notícias sobre o caso Portucale, que envolvem o seu candidato. Gafe, só mesmo a de Fernando Negrão que confundiu as siglas das várias empresas municipais.

O que dizem as sondagens
Vencedor quase certo das eleições intercalares de domingo, o candidato do PS, António Costa, surge em todas as sondagens, desde há dois meses, em primeiro lugar, mas sem alcançar a tão pedida maioria absolta para governar Lisboa. Os resultados publicados apontam para uma média de 34%, sendo que Costa nunca desceu dos 30%. Isto significa que, o ex-número dois do Governo deverá alcançar entre 6 a 7 lugares na câmara. O segundo lugar parece ser, ainda, uma incógnita: já foi ocupado por Fernando Negrão, Carmona Rodrigues e Helena Roseta, que desde Maio têm vindo a revezar-se no cargo. O independente Carmona Rodrigues deverá conseguir um resultado próximo dos 16%, o que dá três mandatos, enquanto Fernando Negrão deverá alcançar um resultado muito semelhante, entre os três e quatro mandatos. Já Helena Roseta poderá ficar perto dos 13%.