Estudo contesta inteligência dos golfinhos

Started by r1c4rd0100, August 28, 2006, 01:06:03 PM

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Estudo contesta inteligência dos golfinhos

Num artigo agora publicado, o investigador sul-africano Paul Manger defende que os golfinhos e as baleias não são tão inteligentes quanto se julgava. O especialista assegura que o seu Q.I está ao nível do de um rato de laboratório, e é inferior ao de um peixinho dourado.

Durante anos a comunidade científica considerou que as dimensões consideráveis do cérebro dos golfinhos significavam que estes eram animais muito inteligentes. Mas, segundo uma pesquisa recente, levada a cabo por Paul Manger, da Univerdade de Witwatersrand, em Joanesburgo, isso não corresponde à verdade.

Num artigo publicado na revista "Biological Reviews" da Cambridge Philosophical Society, o investigador defende que estes cetáceos são tão inteligentes quanto um rato de laboratório, e menos sábios do que um vulgar peixe dourado.
Paul Manger assegura que os golfinhos têm um cérebro grande devido ao seu processo evolutivo, o que terá acontecido quando os animais de sangue quente tiveram que se adaptar para sobreviver em águas de baixas temperaturas.

"Os peixes dourados conseguem resolver questões que os golfinhos não conseguem", garantiu o especialista ao Globe and Mail.
"Quando um peixe dourado tenta saltar do seu aquário, está a pensar no que está para além do ambiente em que vive", exemplificou.
"Um golfinho jamais o fará. (...) Nos parques aquáticos, as paredes dos tanques que separam estes animais dos outros são baixas. Seria fácil saltar, mas eles não o fazem", acrescentou.

Manger assegura que os golfinhos conseguem fazer coisas fantásticas, mas as suas respostas estão sempre baseadas num processo do tipo reflexo condicionado. Os animais são treinados para executar uma tarefa, cumprem-na, e em troca recebem um prémio. E por isso continuam a fazê-la.
O investigador considera que este é um comportamento típico de um animal pouco inteligente.

Esta tese apoia-se em dados obtidos através da análise da composição do cérebro dos golfinhos. Advoga que este é grande porque é rico em neuróglias, células e fibras do sistema nervoso central que produzem calor, e não alberga muitos neurónios. Uma anatomia bastante semelhante à do cérebro das baleias, assegura Manger.

Apesar de sustentar que os golfinhos não são tão inteligentes quanto se julgava, Manger assegura que estes mamíferos são muito felizes, devido aos níveis elevados de serotonina, um neurotransmissor natural associado à alegria.

Mas o tema da inteligência dos bem-amados cetáceos ainda vai dar muito que falar, já que esta teoria está longe de ser consensual.
Muitos investigadores têm manifestado o seu cepticismo quanto ao método utilizado por esta equipa para aferir as capacidades cognitivas dos golfinhos.

Lance Barrett-Lennard, que lidera o programa de investigação de cetáceos do Aquário de Vancouver, no Canadá, afirmou ao The Globe que esta medição do cortex cerebral dos animais pode ser tão falaciosa quanto a teoria anterior (que advogava que a um cérebro grande correspondia uma inteligência superior).

Para o biólogo é claro que estes animais possuem uma inteligência social muito apurada, dadas as redes sociais complexas que estabelecem com os seus pares.
"Um golfinho até podia ter um cérebro do tamanho de uma noz, mas isso não invalida as observações de que se regem por um sistema de organização social muito complexo", afirmou.
"Eles nunca se esquecem de quem são os seus amigos, estabelecendo hierarquias e alianças complicadas. Para além disso, têm um sentido de orientação muito apurado, sabendo exactamente para onde ir quando querem procurar um determinado alimento", sublinha Barrett-Lennard.

Fonte: ciberia