Damian Marley em Lisboa: bem-vindo, General Junior!

Started by r1c4rd0100, March 29, 2006, 08:50:39 PM

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Dois eventos de porte considerável colidiam ontem à noite, em Lisboa: o embate entre Benfica e Barcelona e a primeira visita de Damian \\"Jr. Gong\\" Marley à capital. Ãâ,¬ porta do Coliseu dos Recreios, pelas 20h00, um mar de gente mostrava sinais de afecção a ambas as causas, assistindo aos quase-golos do desafio pelos televisores dos concorridos restaurantes, e procurando com afinco bilhetes para o espectáculo lotado. Junte-se ao cenário um breve sabor a Primavera e temos um dos ambientes mais saudáveis e participados dos últimos tempos, no que a concertos diz respeito. No interior do coliseu, em palco e na plateia, o entusiasmo não era menor.

Depois de uma primeira parte a cargo do projecto Firestarter Soundsystem, que com a ajuda de vários êxitos do reggae e Prince Wadada no MCing convenceu o público a Ã,«fazer barulhoÃ,», o coliseu pôs-se em sentido para receber o benjamim do clã Marley. Damian entrou em palco depois da sua banda (bateria, baixo, guitarra, teclas e duas cantoras) e de uma breve apresentação, a cargo de um excêntrico master of ceremonies. Ãâ,¬ sua espera encontrou um ambiente electrizante; apinhada, a sala nobre de Lisboa desunhava-se para provar a devoção não só a Damian (\\"Welcome to Zion\\", lia-se numa faixa tricolorida), como ao pai Bob, cujo espírito esteve presente, com moderação, ao longo de toda a noite. O arranque, com \\'Confrontation\\', abanou desde logo as estruturas do coliseu, com um som mais rock do que reggae a levantar os pés dos milhares de presentes. Ainda encasacado, e protegido por um cachecol mais curto que os seus intermináveis dreadlocks, Damian Marley entrou a matar, quer no estilo vocal, entre o ragga e o dancehall, quer no apelo à multidão. De braço estendido no ar, o jamaicano foi herói, ao mesmo tempo, de um comício e de uma mega-festa; apesar de o contexto \\"live\\" não ser o ideal para entender as letras debitadas a alta velocidade, o activismo de muitos dos temas não passou ao lado dos fãs, que na ponta da língua traziam todas as passagens de \\"Welcome To Jamrock\\", terceiro e aclamado disco para Jr. Gong. \\'The Master Has Come Back\\', \\'There For You\\' (balada com isqueiros a pedido) e \\'In 2 Deep\\' foram alguns dos momentos altos da primeira metade do espectáculo, durante a qual Damian pouco sorriu ou falou, delegando na música a responsabilidade de comunicar com o público.

O carisma do artista aparenta advir, de resto, não de falinhas mansas ou simpatia forçada, mas do empenho que coloca em toda a actuação, vocalizando os temas sem pausas nem quebras, enquanto, mais levezinho que Liedson, polvilha o palco com saltos permanentes. Incansável, quase panfletário, Damian parece nunca perder o controlo do seu espectáculo, para cujo sucesso contribuem ainda, sobremaneira, a sua banda e principalmente as duas cantoras, que além dos coros doces e certeiros, dançam e provocam o público de forma irrepreensível. O solitário efeito especial parte do oitavo elemento em palco: um homem cuja única função é abanar uma bandeira rastafari durante todo o concerto. O insólito rapidamente se torna parte natural daquela trupe, que no encore com \\'For The Babies\\', \\'Road To Zion\\' e, mesmo no final, \\'Welcome To Jamrock\\', assina uma despedida poderosa e definitiva. Para trás ficara a versão para \\'Could You Be Loved\\', com o público, eufórico, a poupar a voz de Damian. Não é possível, nem necessário, esquecer quem é o pai do artista que, após hora e meia a animar as hostes, abandona discretamente o palco. Mas é palpável que, se Damian teve o coliseu cheio e a seus pés, o mérito só a ele pertence - mesmo que \\"Welcome To Jamrock\\" não tenha feito mossa no top nacional de vendas. Ãâ,¬ consideração dos teóricos sobre a música na Internet...

in cidadefm