Cientistas descobrem Pompeia do Oriente

Started by angels, March 04, 2006, 11:09:32 AM

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Uma expedição até ao local onde se verificou a maior erupção vulcânica da modernidade permitiu descobrir uma cidade que fora completamente destruída pela erupção do Tambora, em 1815.

Mais de 100.000 pessoas morreram quando o monte Tambora entrou em erupção na ilha indonésia de Sumbawa, em 1815. Agora, um grupo de arqueólogos americanos e indonésios afirma ter descoberto as ruínas de uma cidade preservada sob as cinzas da maior erupção vulcânica da modernidade, numa missão conhecida como Ã,«A Pompéia do OrienteÃ,».
Os investigadores desenterraram as ruínas de uma casa, que escondia os corpos carbonizados de um casal, mas esta é apenas uma parcela ínfima da cidade que se supõe estar escondida sob a terra.
Segundo revelou o chefe da expedição, Haraldur Sigurdsson, da Universidade de Rhode Island, nos EUA, Tambora pode ser realmente a Pompeia do Oriente. A equipa acredita que os seus habitantes, edifícios e a própria cultura, possam estar preservados, tal como eram em 1815.
As descobertas agora realizadas reforçam os relatos de época, segundo os quais Tambora não era uma sociedade primitiva, mas sim uma civilização.
Prova disso foram alguns dos artefactos aqui encontrados, entre os quais, objectos de bronze, vidro e cerâmica, estes últimos semelhantes aos da civilização Khmer, que existiu no Vietname e no Camboja.
Os primeiros vestígios foram descobertos há dois anos pelos habitantes da ilha.
Agora, com base nos relatos dos locais e com a ajuda de um radar, os investigadores exploraram um canal na selva, onde localizaram a casa, a três metros de profundidade. A equipa pretende continuar com as escavações até descobrir todos os segredos que a lava escondeu.



Sumbawa, a leste de Bali, era originalmente a terra de uma comunidade de agricultores, entretanto subjugada pelos Sulawesi, que cultivava arroz, feijão, milho e criava gado.
No ano de 1800, já se tinha tornado um entreposto comercial, a partir do qual se exportavam produtos como arroz, algodão e ninhos de pássaros. Escavações recentes revelaram ainda vestígios de sedas e de porcelanas, indício de que também fariam trocas comerciais com a China.
O vulcão Tambora entrou em actividade a 10 de Abril de 1815 e a sua erupção é a maior até hoje registada, sendo quatro vezes mais violenta do que a do Krakatoa, em 1883.
O estrondo provocado foi tal que pôde ser ouvido a quase 3.000 quilómetros de distância, tendo o impacto da explosão sido sentido num raio de 1.600 quilómetros.
A erupção lançou uma coluna de fumo que atingiu os 40 quilómetros de altura e as suas cinzas caíram a 1.300 quilómetros do vulcão. A chuva de cinzas foi tão intensa que os telhados de casas situadas a 60 quilómetros ruíram sob o seu peso.
Estima-se que a catástrofe natural tenha morto mais de 10.000 pessoas imediatamente, vítimas da lava, das rochas incandescentes e das cinzas ardentes.
Nas semanas seguintes, outras 117.000 morreram de doenças, ferimentos e de fome causada pela perda total das colheitas. A civilização de Tambora desapareceu completamente, extinguindo-se com ela uma cultura e uma língua únicas.
A sociedade ocidental, que não teve tempo de contactar com esta civilização antes da sua destruição, espera agora por uma segunda oportunidade, concretizada através do estudo das suas ruínas, garante Sigurdsson.


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