A vingança da esposa...

Started by camomopa, March 08, 2007, 06:20:00 PM

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camomopa

Casamos novos. Ela com 19 e eu com 20 anos de idade.
 Lua-de-mel, viagens, mobílias na casa alugada, prestações da casa  própria e o primeiro bebê.
 Anos oitenta e a moda era ter uma filmadora do Paraguai. Sempre tinha um vizinho ou amigo contrabandista disposto a trazer aquela
 muambazinha por um preço módico.
 Ela tinha vergonha, mas eu desejava eternizar aquele momento.
 Invadi a sala de parto com a câmera no ombro e chorei enquanto filmava o parto do meu primeiro filho.
 Todo mundo que chegava lá em casa era obrigado a assistir ao filme.
 Perdi a conta das cópias que fiz do parto e distribuí entre amigos,parentes e parentes dos amigos.
   Meu filho e minha esposa eram o meu orgulho.
 Três anos depois, novo parto, nova filmagem, nova crise de choro.
 Como ela categoricamente disse que não queria que eu filmasse,invadi a sala de parto mais uma vez com a câmera ao ombro. As
 pessoas que me conhecem sabem que havia apenas amor de pai e maridonaquele acto. O fato de fazer diversas cópias da fita era apenas uma
 demonstração de meu orgulho.
 Nada que se comparasse ao fato de ela, essa semana, invadir a sala do meu urologista, câmera ao ombro, filmando o meu exame de próstata. Eu lá, com as pernas naquelas malditas perneiras, o cara com um dedo (ele jura que era só um!) quase na minha garganta e a mulher gritando:
 - Ah! Doutor! Que maravilha! Vou fazer duas mil cópias dessa fita!
 Semana que vem estou enviando uma para o senhor!
 Meus olhos saindo da órbita a fuzilaram, mas a dor era tanta que não conseguia falar. O miserável do médico girou o dedo e eu vi o teto a dois centímetros do meu nariz.
 A mulher continuou a gritar, como um diretor de cinema:
 - Isso, doutor! Agora gire de novo, mais devagar.
 Vou dar um close agora...
 Alcancei um sapato no chão e joguei na maldita.
 Agora, estou escrevendo este e-mail, pedindo aos amigos que receberem uma cópia do filme, que o enviem de volta para mim..
 Eu pago o reembolso.
(Luiz Fernando Veríssimo)
Não há um lado mau da vida: a vida é una

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