A operadora brasileira Vivo está Ã,«no centro da disputaÃ,» pelo controlo da Portugal Telecom (PT), na sequência da OPA lançada pelo grupo Sonae, de Belmiro de Azevedo, escreve na edição desta semana a revista Isto É Dinheiro.
Ã,«Qualquer que seja o desfecho [da OPA], o sector de telecomunicações no Brasil será fortemente modificado nesse processoÃ,», salienta o semanário, na reportagem de capa da sua edição.
A revista afirma que o desejo já manifestado do empresário Belmiro de Azevedo de encerrar as operações da PT no Brasil, caso tenha sucesso na OPA, coloca em suspenso o futuro da Vivo.
Detida em partes iguais pela PT e pela Telefónica Móviles, a Vivo é actualmente a maior operadora móvel do mercado brasileiro, com cerca de 30 milhões de utilizadores.
Ã,«A Vivo encontra-se em perÃÂodo de silêncio obrigatório antes da divulgação de seus resultados anuais e não rebateu as crÃÂticas de AzevedoÃ,», de que a operadora não traz resultados para a PT, refere a revista.
Ã,«No Brasil, todas as operadoras sofrem com margens anémicas e a Vivo não é excepção, embora tenha algumas vantagens em relação aos demais competidoresÃ,», escreve.
A receita média por utilizador da Vivo, um importante indicador do sector, é superior àreceita de suas principais concorrentes, a mexicana Claro e a italiana TIM.
Enquanto a receita média por utilizador na Vivo é de 28 reais por mês (10,76 euros), a da Claro é de 21 reais (oito euros) e a da TIM 26 reais (10 euros).
Até ao terceiro trimestre de 2005, a Vivo registava uma receita lÃÂquida de 8,3 mil milhões de reais (3,19 mil milhões de euros).
No mesmo perÃÂodo, a operadora luso- espanhola acumulava um prejuÃÂzo de 464 milhões de reais (178,5 milhões de euros).
Ã,«Ele [Belmiro de Azevedo] diz que venderá a empresa [Vivo] e já começa a depreciá-la. É como colocar um carro àvenda e declarar que os pneus não estão bonsÃ,», afirmou àrevista um consultor do mercado que trabalha para a PT no Brasil.
A IstoÉ Dinheiro realça ainda que o Ã,«descaso de Belmiro pela Vivo pode ter motivo mais emocional: sua declarada aversão ao Brasil, depois dos tombos que tomou por aquiÃ,».
Um desses Ã,«tombosÃ,», segundo a revista, seria a operação no sector de supermercados do grupo Sonae, vendida em Dezembro de 2005 àrede Wal-Mart por 635 milhões de euros.
O grupo liderado por Belmiro de Azevedo mantém ainda negócios na área imobiliária e no sector de turismo no Brasil.
Ã,«Ele [Belmiro] é rei em Portugal, mas no Brasil é apenas mais um investidor português. Ele sentiu falta de um tapete vermelho no BrasilÃ,», salientou o mesmo consultor.
A Sonae anunciou esta semana o lançamento de uma OPA sobre a totalidade do capital da PT e uma outra oferta sobre a PT Multimédia.
Por cada acção da PT, a Ã,«holdingÃ,» de Belmiro de Azevedo oferece 9,5 euros e por cada tÃÂtulo da PT Multimédia 9,03 euros.
O sucesso de ambas as operações está condicionado àaquisição de mais de 50% dos capitais sociais das duas empresas.
No caso da PT, a Sonae condiciona ainda o sucesso da OPA àalteração dos estatutos da operadora de telecomunicações e àrestrição dos direitos especiais do Estado ou que este aprove o plano de reestruturação que será apresentado.
A espanhola Telefónica é o principal accionista da PT, com 9,96% do capital, seguida pelo fundo de investimento Brandes Investments Partners, com 8,53%.
O grupo Banco EspÃÂrito Santo (BES) tem 8,36%, o fundo Capital Group Companies tem 5,6% e a Caixa Geral de Depósitos tem 5,14%.
São também accionistas a Cinveste, de LuÃÂs Silva, o grupo Fidelity e o empresário Patrick Monteiro de Barros, com posições de cerca de 2% cada.
A PT controla actualmente 58,3% do capital da PT Multimédia.
Logo após o anúncio da OPA, as acções das empresas controladas pela holding Vivo subiram na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
Além da participação na Vivo, a PT detém uma posição minoritária no UOL, o maior portal de lÃÂngua portuguesa na Internet, e controla a Dedic, uma das maiores empresas de contact center do Brasil.
Fonte: Diário Digital / Lusa