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SuicÃÂdio com venenos tentado em médiapor 11 pessoas ao dia
Mais de 27 mil pessoas ligaram no ano passado para o Centro de Informação Antiveneno (CIAV) a pedir ajuda. A maioria dos telefonemas prendeu-se com intoxicações (74%) em adultos, crianças e animais. Mas o caso mais grave prende-se com as tentativas de suicÃÂdio só em chamadas para o CIAV, foram contados 4262 pedidos de ajuda num ano por intoxicações intencionais. Estas aconteceram maioritariamente entre as mulheres, dos 20 aos 39 anos, através da ingestão de medicamentos.
É a primeira vez que o CIAV, um serviço do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), divulga as estatÃÂsticas do seu trabalho, porque até aqui os dados não se encontravam informatizados. Agora é possÃÂvel constatar que para o número 808250143 são feitas, em média, 78 chamadas por dia. O movimento aumenta a partir das 18 horas até àuma da madrugada. "Corresponde àhora em que as pessoas chegam a casa e que mexem mais nos produtos", explicou, ao JN, Fátima Rato, coordenadora do CIAV.
No ano passado houve uma ligeira descida de telefonemas em relação a 2005 (menos 557) , mas para aquela responsável, tal quebra tem a ver com a diminuição das campanhas de divulgação do número de emergência e do centro antiveneno.
A informação "é fundamental" até porque, apesar das muitas intoxicações voluntárias, a grande maioria continua a ser acidental. Em 2006, registaram-se 14494 intoxicações por acidente. Outras 4262 foram com intenção e 1023 resultaram de erro terapêutico. "Não podemos evitar as intencionais, mas podemos prevenir as acidentais", defende Fátima Rato.
Os medicamentos, nomeadamente os vulgares calmantes muito usados nas tentativas de suicÃÂdio, e os produtos domésticos e industriais, como os detergentes, são as substâncias que provocam intoxicações com mais frequência.
Casos como as mães que deixam a pÃÂlula em cima da mesa-de-cabeceira ao alcance das crianças, ou dos pais que dão o xarope ou o antibiótico aos filhos em "duplicado", são situações frequentes. "Há dias tivemos uma criança que tinha comido 28 pÃÂlulas", contou a médica, lembrando ainda o caso curioso de uma senhora que engoliu um supositório. Mas se uma sobredosagem de pÃÂlula não traz, àpartida, grandes complicações para uma criança, há intoxicações que podem ser fatais.
Casos gravÃÂssimos, recorda Fátima Rato, podem decorrer da troca de embalagens de detergentes. Por exemplo, a colocação de um lÃÂquido de limpeza numa garrafa de água. "Acontece com muita frequência em cafés e restaurantes com os descalcificantes das máquinas. Depois vemos nos jornais que as pessoas ficaram queimadas por causa da água e não é bem assim", acrescenta.
Além das chamadas directas para o número, o CIAV atende também telefonemas encaminhados pela linha Saúde 24 e dos hospitais que ligam a pedir informações sobre determinados casos de intoxicações.
Fonte: JN