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General Category => Arquivo => Conversa de Café => Topic started by: Navyseal on April 14, 2007, 02:00:47 PM

Title: Vidas Duplas: universitárias e prostitutas
Post by: Navyseal on April 14, 2007, 02:00:47 PM
QuoteDinheiro rápido e fácil?
Universitárias Ã,«lindíssimasÃ,», Ã,«carentesÃ,», Ã,«fresquinhasÃ,» ou que prometem Ã,«levar à loucuraÃ,» são alguns dos iscos usados para chamar a atenção dos clientes. O MU mordeu o anzol.
Por Lina Manso | lmanso@mundouniversitario.pt
Ilustração Bruno Franquet
Com o que facturam num único dia, elas chegam a pagar a renda do apartamento. E das entrevistadas, nenhuma deseja sair agora da prostituição.

Ã,«Não dou esse tipo de informaçõesÃ,» ou Ã,«desculpe mas enganou-se no númeroÃ,» foram algumas das respostas obtidas quando o MU, sem esconder a intenção do telefonema (para fins de reportagem), fazia uma primeira abordagem. Contudo, entre muitas recusas, foram surgindo testemunhos de mulheres que Ã,«praticam o convívioÃ,» (como disse ââ,¬Å"Cilaââ,¬Â, uma das entrevistadas), na capital. Tudo pelo telefone, sem exposições. Um mundo em que o receio de serem descobertas dita as regras.

200 euros num dia bom
ââ,¬Å"Carlaââ,¬Â, lisboeta de 23 anos, é peremptória. Ã,«Não quero encontrosÃ,», frisa, logo à partida. Frequenta o 2Ã,º ano de Direito e não pretende arriscar a possibilidade de vir a subir na carreira. Ã,«Imagina que agora nos conhecíamos e mais tarde nos cruzávamos em trabalhoÃ,», começa a explicar. Ã,«Saberias o que eu tinha feitoÃ,», conclui. ââ,¬Å"Carlaââ,¬Â sente que tem de se proteger e não pode abrir excepções.
Fecha esta porta mas, assegurada a margem de segurança, não rejeita alguns minutos de conversa. Conta que partilha um apartamento com uma amiga de Psicologia e que ambas ââ,¬Å"andam na vidaââ,¬Â até saírem dos respectivos cursos. Ã,«Os livros são caros e tenho de pensar nas propinasÃ,», refere. Consegue ainda guardar uma parte do rendimento. Afinal, Ã,«num dia bomÃ,», chega a receber 200 euros. Mas apesar de dizer que vai deixar aquela a chamam a mais velha profissão do mundo, afirma que Ã,«quando se aprende a ganhar dinheiro desta forma é mais fácil voltar atrás na decisãoÃ,».
Entrou Ã,«há alguns mesesÃ,» por sua livre iniciativa. Ã,«Comecei a atender telefones num apartamentoÃ,» de prostitutas, diz. E acabou por ceder à ideia de dinheiro rápido. Ã,«Por um serviço completo ââ,¬â€œ com anal incluído ââ,¬â€œ cobro 50 eurosÃ,», esclarece. Assegura também que não abdica da Ã,«protecçãoÃ,» e que os Ã,«beijos na boca são proibidosÃ,». ââ,¬Å"Deixa-los para o teu namorado?ââ,¬Â, perguntou o MU, já sabendo que tinha uma cara-metade, a estudar em Aveiro. Ã,«Não é uma questão de romantismo mas de higiene!Ã,», diz ââ,¬Å"Carlaââ,¬Â, que admite nunca ter sentido prazer durante o acto sexual com os clientes. Ã,«Nem me permitiria apaixonar por um deles!Ã,», sublinha. E entretanto, vai escondendo ao companheiro a verdade. Ã,«Ele nem sonha, pensa que trabalho na VodafoneÃ,», afirma. E apesar da mentira, para ela este é um meio igual a tantos outros para atingir o fim almejado, ou seja, o ââ,¬Å"canudoââ,¬Â.

Chega para todas!
A ââ,¬Å"Cilaââ,¬Â, de 18 anos, frequenta o 1Ã,º ano de Psicologia, é de Lisboa, não tem namorado, e vive há alguns meses no apartamento de uma amiga mais velha que já ââ,¬Å"anda na vida há um anoââ,¬Â. Pouco depois aliou-se a ela. Ã,«A princípio foi complicadoÃ,», admite. Agora já tem cerca de cinco clientes habituais, e nos melhores dias chega a ganhar 400 euros (cobrando entre 50 a 75 pelo serviço normal). Um valor que dá quase para pagar um mês de renda. Ã,«Não me considero uma consumista e tento amealhar para deixar isto daqui a dois anos no máximoÃ,», alega. Mas tem consciência de que sendo uma Ã,«maneira de conseguir dinheiro rápido (e não fácil!) há raparigas que se habituam ao nível de vidaÃ,».
Já concorreu a cargos de auxiliar administrativa ou secretária e até agora nada. Virou-se para a prostituição. Ao menos, como trabalha Ã,«por marcaçõesÃ,», pode ajustar os horários ao tempo que necessita para as aulas.
A futura psicóloga ââ,¬â€œ que admite pretender vir a trabalhar com crianças ou criminosos ââ,¬â€œ acredita que Ã,«as coisas muitas vezes acontecem quando não estamos à esperaÃ,». Como o facto de ter vindo parar à ââ,¬Å"vidaââ,¬Â. Adianta que conhece Ã,«pouca gente no meioÃ,» e fala em Ã,«alguma rivalidadeÃ,» entre colegas de profissão. Ã,«Mas acho que chega para todas!Ã,», remata.

Habituada a ter dinheiro
A ââ,¬Å"Erikaââ,¬Â, de 21 anos, e a ââ,¬Å"Sílviaââ,¬Â, de 20, são amigas, partilham o mesmo apartamento que arrendam por 750 euros e têm outro, por 500, onde trabalham. Mas também fazem Ã,«deslocaçõesÃ,». Por cada uma, 150 euros.
A vantagem deste tipo de trabalho é que Ã,«não andamos sempre a contar os tostõesÃ,», diz ââ,¬Å"Sílviaââ,¬Â, a frequentar o curso de Enfermagem. Afinal, Ã,«não é em qualquer emprego que se faz 200 ou 300 euros por dia. Além das despesas Ã,«dá para tudo o que quisermosÃ,». Mesmo seduzida pelo dinheiro, quando acabar o curso, sai. Ã,«Porque me custaÃ,».
ââ,¬Å"Erikaââ,¬Â, do norte de Portugal, frequenta um curso Ã,«relacionado com teatro e cinemaÃ,» e confirma que a prostituição Ã,«Ã© a melhor forma de arranjar dinheiro rápidoÃ,».
Ambas têm namorado, a quem garantem conseguir esconder as vidas paralelas: uma diz que faz uns ââ,¬Å"biscatesââ,¬Â, outra que trabalha em hotelaria. E todos os dias, dependendo das aulas, fazem Ã,«pelo menos alguns serviços, sempre com Ã,«protecçãoÃ,». Concorreram a outros trabalhos mas ou não obtinham respostas ou os salários oferecidos eram baixos. Entretanto, ââ,¬Å"agarram-seââ,¬Â à prostituição e dizem, com orgulho, nunca ter recebido queixas dos clientes.

Eu não sou universitária!
No anúncio de jornal, ââ,¬Å"Sofiaââ,¬Â, de 24 anos, refere que frequenta o 2Ã,º ano de Medicina. Ao MU, afirma que apenas o diz por ser algo que Ã,«agrada ao homensÃ,».
É do Porto mas veio com os pais para Lisboa. Ainda mora com eles. Ã,«Pensam que tomo conta de uma senhoraÃ,», explica. E todos os dias, Ã,«normalmente entre as 13 e as 21 horasÃ,», dirige-se ao apartamento que arrenda com uma amiga por 440 euros. Confessa que não é fácil: Ã,«estamos com pessoas estranhas e fazemos muitas vezes coisas de que não gostamosÃ,». Mas Ã,«os trabalhos lá fora não dão dinheiro e as entrevistas a que fui não deram em nadaÃ,». Por enquanto, vai aproveitando para organizar a sua vida. Ã,«Estou a tentar comprar uma casaÃ,», afirma. E julga que daqui a um ano já terá as contas mais equilibradas. Nessa altura Ã,«saio distoÃ,», refere.

in: http://www.mundouniversitario.pt/artigos.php?id=2 (http://www.mundouniversitario.pt/artigos.php?id=2)
Title: Vidas Duplas: universitárias e prostitutas
Post by: southafrikanse on April 14, 2007, 09:57:21 PM
Belo artigo mas... enfim

Cada um faz aquilo que quer :oops:
Title: Vidas Duplas: universitárias e prostitutas
Post by: Navyseal on April 14, 2007, 10:40:47 PM
So tenho medo que no futuro me apareça uma assim, gajas sem escrúpulos que até aos namorados mentem.  :evil:
Title: Vidas Duplas: universitárias e prostitutas
Post by: p0wd3r on April 14, 2007, 10:47:34 PM
QuoteSo tenho medo que no futuro me apareça uma assim, gajas sem escrúpulos que até aos namorados mentem.  :evil:

Exacto, o pior de tudo é mesmo essa situação.
Title: Vidas Duplas: universitárias e prostitutas
Post by: BigPower on April 14, 2007, 11:50:56 PM
Nem todos tem pais ricos, mas chegar a está situação. =X