Operadora Vivo «no centro da disputa» pelo controlo da PT

Started by angels, February 12, 2006, 01:00:26 PM

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A operadora brasileira Vivo está Ã,«no centro da disputaÃ,» pelo controlo da Portugal Telecom (PT), na sequência da OPA lançada pelo grupo Sonae, de Belmiro de Azevedo, escreve na edição desta semana a revista Isto É Dinheiro.


Ã,«Qualquer que seja o desfecho [da OPA], o sector de telecomunicações no Brasil será fortemente modificado nesse processoÃ,», salienta o semanário, na reportagem de capa da sua edição.

A revista afirma que o desejo já manifestado do empresário Belmiro de Azevedo de encerrar as operações da PT no Brasil, caso tenha sucesso na OPA, coloca em suspenso o futuro da Vivo.

Detida em partes iguais pela PT e pela Telefónica Móviles, a Vivo é actualmente a maior operadora móvel do mercado brasileiro, com cerca de 30 milhões de utilizadores.

Ã,«A Vivo encontra-se em período de silêncio obrigatório antes da divulgação de seus resultados anuais e não rebateu as críticas de AzevedoÃ,», de que a operadora não traz resultados para a PT, refere a revista.

Ã,«No Brasil, todas as operadoras sofrem com margens anémicas e a Vivo não é excepção, embora tenha algumas vantagens em relação aos demais competidoresÃ,», escreve.

A receita média por utilizador da Vivo, um importante indicador do sector, é superior à receita de suas principais concorrentes, a mexicana Claro e a italiana TIM.

Enquanto a receita média por utilizador na Vivo é de 28 reais por mês (10,76 euros), a da Claro é de 21 reais (oito euros) e a da TIM 26 reais (10 euros).

Até ao terceiro trimestre de 2005, a Vivo registava uma receita líquida de 8,3 mil milhões de reais (3,19 mil milhões de euros).

No mesmo período, a operadora luso- espanhola acumulava um prejuízo de 464 milhões de reais (178,5 milhões de euros).

Ã,«Ele [Belmiro de Azevedo] diz que venderá a empresa [Vivo] e já começa a depreciá-la. É como colocar um carro à venda e declarar que os pneus não estão bonsÃ,», afirmou à revista um consultor do mercado que trabalha para a PT no Brasil.

A IstoÉ Dinheiro realça ainda que o Ã,«descaso de Belmiro pela Vivo pode ter motivo mais emocional: sua declarada aversão ao Brasil, depois dos tombos que tomou por aquiÃ,».

Um desses Ã,«tombosÃ,», segundo a revista, seria a operação no sector de supermercados do grupo Sonae, vendida em Dezembro de 2005 à rede Wal-Mart por 635 milhões de euros.

O grupo liderado por Belmiro de Azevedo mantém ainda negócios na área imobiliária e no sector de turismo no Brasil.

Ã,«Ele [Belmiro] é rei em Portugal, mas no Brasil é apenas mais um investidor português. Ele sentiu falta de um tapete vermelho no BrasilÃ,», salientou o mesmo consultor.

A Sonae anunciou esta semana o lançamento de uma OPA sobre a totalidade do capital da PT e uma outra oferta sobre a PT Multimédia.

Por cada acção da PT, a Ã,«holdingÃ,» de Belmiro de Azevedo oferece 9,5 euros e por cada título da PT Multimédia 9,03 euros.

O sucesso de ambas as operações está condicionado à aquisição de mais de 50% dos capitais sociais das duas empresas.

No caso da PT, a Sonae condiciona ainda o sucesso da OPA à alteração dos estatutos da operadora de telecomunicações e à restrição dos direitos especiais do Estado ou que este aprove o plano de reestruturação que será apresentado.

A espanhola Telefónica é o principal accionista da PT, com 9,96% do capital, seguida pelo fundo de investimento Brandes Investments Partners, com 8,53%.

O grupo Banco Espírito Santo (BES) tem 8,36%, o fundo Capital Group Companies tem 5,6% e a Caixa Geral de Depósitos tem 5,14%.

São também accionistas a Cinveste, de Luís Silva, o grupo Fidelity e o empresário Patrick Monteiro de Barros, com posições de cerca de 2% cada.

A PT controla actualmente 58,3% do capital da PT Multimédia.

Logo após o anúncio da OPA, as acções das empresas controladas pela holding Vivo subiram na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

Além da participação na Vivo, a PT detém uma posição minoritária no UOL, o maior portal de língua portuguesa na Internet, e controla a Dedic, uma das maiores empresas de contact center do Brasil.


Fonte: Diário Digital / Lusa