Autor Tópico: SIDARTA, de Hermann Hesse (Ficha de Leitura)  (Lida 2536 vezes)

Offline Paulo39

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SIDARTA, de Hermann Hesse (Ficha de Leitura)
« em: Fevereiro 11, 2009, 08:05:34 pm »
Nome do autor: Hermann Hesse

Título: Sidarta

Editor: Civilização Brasileira

Local e Data da publicação: Rio de Janeiro, 1967

Informação sobre o autor: Hermann Hesse nasceu no coração da Alemanha em 2 de Julho de 1877. Filho de pais missionários protestantes que emigraram para a Índia onde pregaram o cristianismo, Hesse desde cedo demonstrou uma personalidade marcante. Toda a sua vida se passou entre fugas e revoltas com o estado do mundo e da sociedade. Logo quando novo fugiu do seminário onde estudava Teologia e refugiou-se mais tarde na Suíça onde se empregou numa pequena livraria e onde publicou as suas primeiras obras. Mais tarde, já depois do sucesso de Peter Camenzind, casou com uma filha de ricos burgueses suíços, mas engane-se quem pense que a sua vida tinha assentado: fugiu desse conforto para uma existência e vivência solitárias na Natureza donde apenas foi sacudido aquando da primeira grande guerra. Declarou-se contra o nacionalismo bélico do Kaiser e dos alemães. Em 1946 ganhou o prémio Nobel da Literatura com o seu livro O Jogo das Contas de Vidro escrito três anos antes. Apesar de tantas fugas e revoltas Hesse sempre quis, na realidade, a paz. Foi para a Índia onde se encontrou e onde encontrou a paz de espírito que tanto procurara ao longo da sua vida. Pode dizer-se que a sua vida foi em tudo semelhante à do jovem Sidarta relatada nesta obra-prima da literatura. Morreu na Suíça em 9 de Agosto de 1962.


Outras obras do mesmo autor:
1898 - Canções românticas
1899 - Eine Stunde hinter Mitternacht
1903 - Peter Camenzind (romance)
1904 - Bocaccio (biografia)
1904 - Francisco de Assis (biografia)
1905 - Debaixo das Rodas (Unterm Rad) (romance)
1907 - Diesseits (contos)
1908 - Nachbarn (contos)
1910 - Gertrud (romance)
1911 - Unterwegs (poesia)
1912 - Umwege (contos)
1913 - Aus Indien
1915 - Musik des Einsamen (poesia)
1919 - Demian (romance)
l922 - Sidarta (Siddhartha) (romance)
1923 - Trost der Nacht (poesia)
1927 - O Lobo da Estepe (Der Steppenwolf) (romance)
1928 - Betrachtungen
1928 - Krisis (diário)
1930 - Narciso e Goldmund, (Narziss und Goldmund) (romance)
1931 - Web nach Innen (contos)
1937 - Neue Gedichte
Correspondência com Romain Rolland
1943 - O Jogo das Contas de Vidro (romance)
1946 - Dank an Goethe
1946 - Der Europäer (considerações)
1949 - Knulp (romance)
1952 - 1957 Obras Compiladas, 7 volumes
1955 - Beschwörungen (prosa tardia)
1959 - Viagem ao Oriente (Die Morgenlandfahrt) (romance)

Resumo: Sidarta, jovem brâmane, pede permissão a seu pai para partir com os samanas.
Parte com o seu inseparável amigo e companheiro Govinda. Com os samanas exercitam as artes da meditação, do jejum e da separação da consciência do corpo. No entanto, Sidarta desilude-se cada vez mais pois nenhum destes exercícios o levou a descobrir o seu verdadeiro eu. Por mais que deambulasse por fora do seu corpo lá voltaria mais tarde ou mais cedo. Não conseguira mais do que bêbado quando se embebeda.
Ficaram cerca de três anos com os samanas, até que surgiram notícias de que tinha aparecido um Ser Perfeito, um Buda, Gotama. Alegava-se que esse ser humano tinha alcançado o nirvana. Embora um pouco céptico, Sidarta aceitou as preces de Govinda de procurar Gotama, o Buda. Já não tinha nada a aprender com os samanas.
Encontraram Buda e a sua grande caravana de admiradores que o seguia num bosque perto de uma pequena cidade. Ouviram com atenção a exposição da sua doutrina e logo Govinda o sublimou e lhe pediu abrigo. No entanto, Sidarta não ficou totalmente convencido e após um diálogo com o Augusto partiu sozinho e acompanhado. Tinha perdido o seu grande amigo Govinda, mas encontrou-se a si mesmo.
O último capítulo da primeira parte inicia-se então designado Despertar. Efectivamente, é nesta caminhada, que se iniciou de Sidarta em direcção a si mesmo, que ele renasce, compreende, desperta! Afinal de contas, não tem de fugir do seu eu, mas sim encontra-lo e conhece-lo. A partir desse momento não terá outro mestre senão ele próprio.
E assim vai, Sidarta, solitário pelo caminho fora. Depois de fazer a travessia dum rio com um balseiro, Sidarta chegou a uma cidade. Logo à entrada viu uma mulher, Kamala, e logo definiu como seu grande objectivo aprender com ela a arte do amor. Dirigiu-se a ela ao que ela replicou que apenas aceitaria envolver-se com ele quando este estivesse bem vestido e com muito dinheiro nos bolsos. Perguntou-lhe também o que sabia ele fazer. Ele respondeu-lhe que sabia pensar, esperar e jejuar. Movido pelo seu objectivo, Sidarta tornou-se rapidamente um comerciante rico e, então, tornou-se finalmente amante de Kamala. Aos poucos, Sidarta foi adormecendo, foi sendo envolvido por uma névoa na sua mente. Foi-se tornando num homem vulgar. Passou a ter cada vez mais e a ser cada vez menos. E foi uma noite, muitos anos depois, que Sidarta, do fundo do seu poço, olhou para cima, alcançou a luz longínqua do seu passado e compreendeu, compreendeu tudo e abandonou a cidade e a vida que levava e regressou ao seu habitat natural, a própria natureza. Deixou Kamala grávida.
Na sua peregrinação, Sidarta chegou ao Grande Rio, aquele que tinha atravessado com a ajuda de um balseiro, e aí se quedou atormentado e agoniado pelas memórias da sua vida recente. Assaltou-lhe, por momentos, a vontade de se suicidar mas logo de seguida algo o impediu e fê-lo adormecer ali, junto ao rio. Quando acordou pareceu-lhe ter dormido durante vários anos, e estava, diante dele, um monge que ele reconhecia: Govinda. No entanto Govinda não o reconheceu de imediato. Ali tiverem uma curta conversa, depois Govinda partiu. A Sidarta, sem rumo, ocorreu-lhe procurar o balseiro que um dia muitos anos antes o tinha ajudado a ultrapassar o rio. Caminhou lado a lado com rio em sua busca e acabou por encontra-lo. Pediu-lhe que lhe desse abrigo e que o ensinasse a ouvir a voz do rio e a manejar a balsa. O balseiro, chamado Vasudeva, acolheu-o de bom gosto e nessa noite Sidarta descreveu-lhe toda a sua vida. Alguns anos volvidos, a certa altura, grandes grupos de monges passaram incessantemente pelo rio pedindo passagem aos balseiros, isto devido ao facto de Gotama estar gravemente doente e dirigirem-se todos ao seu encontro. Num desses grupos vinha Kamala com o filho. Mas o destino quis que Kamala morresse nas mãos de Sidarta e lhe deixasse o seu filho.
Desde logo foi notório que a relação entre pai e filho nunca daria certo. O rapaz era muito indisciplinado e malcriado e, embora Sidarta não quisesse ver a realidade, seria de todo impossível aprisionar aquele moço, habituado a grandes luxos, numa cabana onde se comia arroz e frutos. Sidarta nutria um grande amor pelo filho, amor que o cegava e que lhe ofuscava a razão. Tentou por via da gentileza e do carinho seduzir o filho, mas não teve sucesso e apenas uns meses depois o filho fugiu para a cidade.
Sidarta viveu o resto da sua vida naquela cabana. Uma vez Vasudeva foi-se para sempre em direcção à selva, outra vez Govinda reapareceu e ali ficou com ele. E Sidarta sempre ali permaneceu para a eternidade.

Citações: (Kamala): Que sabes fazer? (Sidarta): Sei pensar. Sei esperar. Sei jejuar.
(…)
(Sidarta): Quando alguém procura muito pode facilmente acontecer que os seus olhos se concentrem exclusivamente no objecto procurado e que ele fique incapaz de achar o que quer que seja, tornando-se inacessível a tudo e a qualquer coisa porque sempre só pensa naquele objecto, e porque tem uma meta, que o obceca inteiramente. Procurar significa: ter uma meta. Mas achar significa: estar livre, abrir-se a tudo, não ter meta alguma. Pode ser que tu, ó venerável, sejas realmente um buscador, já que, no afã de te aproximares da tua meta, não enxergas certas coisas que se encontram bem perto dos teus olhos.
(…)
(Govinda): Mas, dize-me: aquilo que chamas de coisas é mesmo algo real, algo essencial? Não será apenas uma ilusão da mais, simples miragem, pura aparência? Essa tua pedra, tua árvore, teu rio, são ou não são realidades?
(Sidarta): Esse problema não me preocupa tampouco. Quanto a mim, as coisas podem ser mera aparência, uma vez que, neste caso, também eu sou aparência, e assim serão elas sempre meus iguais. Eis o que as torna para mim tão caras e veneradas: são como eu. Por isso posso amá-las. E com isso te comunico uma doutrina que te fará rir, ó Govinda: tenho para mim que o amor é o que há de mais importante no mundo…

Comentário: Ler este livro foi uma experiência fantástica. Uma viagem pelos nossos sentidos, uma reflexão sobre a vida.
Nós estamos em tudo e tudo está em nós, já que o conjunto de tudo é Deus. E como um sistema isolado que é, o universo, deus, é um ciclo interminável e em que nada se perde ou se ganha mas tudo se transforma simultaneamente. Tudo está relacionado entre si e todos os elementos são essenciais para a existência em harmonia e para a compreensão e interiorização de Deus, do Universo.
Foi um prazer enorme ler este livro.

Paulo Oliveira
« Última modificação: Fevereiro 11, 2009, 08:08:29 pm por Paulo39 »

 

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