[carros antigos] Porsche 914-6

Started by Faboucas, August 14, 2007, 04:34:06 PM

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Faboucas

O 914 é o primeiro carro de motor central feito pela Porsche. De início, poucos o respeitaram, mas depois muitos o copiaram.

Todas as marcas têm no seu lote de criações um ou outro modelo que rompe com as regras. No caso da Porsche esse carro é, claramente, o 914, por muitos considerado mais Volkswagen do que Porsche e até indigno de ser integrado na verdadeira estirpe do construtor de Estugarda. A linha estética revolucionária ajudou a colocá-lo nessa classe à parte.
O 914 é anguloso em vez de redondo, tem o habitáculo bem centrado entre os eixos e uma frente tão curta e plana quanto a traseira, ao contrário das frentes alongadas e traseiras curtas e descendentes dos 356 e 911. Também é bastante baixo e tem uma frente afilada, mas com uns inesperados faróis escamoteáveis. Atrás repetem-se os ââ,¬Å"sacrilégiosââ,¬Â: o tejadilho acaba abruptamente num vidro traseiro inclinado para dentro e o conjunto formado pelo pára-choques e farolins parece ter sido desenhado a régua e esquadro. Sem tejadilho passa a ser um targa quase roadster e os vértices dominam ainda mais o seu perfil.
Mas afinal, porque é este Porsche tão diferente dos outros? Primeiro porque nasceu na década de todas as irreverências do design: os anos 1970 (foi apresentado em 1969). Depois, porque foi concebido numa fase em que a Volkswagen e a Porsche eram a mesma coisa, com a única diferença de que a primeira fazia os carros do povo e a segunda fazia os desportivos. Mas boa parte da mecânica era partilhada. O 914 resulta da necessidade de ambas as marcas substituírem de forma racional os seus modelos de topo, no caso da VW o Karmann-Ghia e no caso da Porsche o 912, já com as formas do 911 mas ainda com um modesto motor de quatro cilindros. O modernismo surgiu, assim, como uma obrigatoriedade para o 914, com o qual as marcas também pretendiam conquistar alguma popularidade, colocando à venda uma versão mais barata, equipada com um motor de 4 cilindros boxer e designação VW-Porsche, que sempre ofuscou as vendas do mais caro mas também mais desportivo e equilibrado 914/6 que aqui mostramos. Este sim, equipado com o boxer de 1991 c.c. de seis cilindros com 125 CV de potência às 5800 rpm, utilizado também no 911T de 1969 e cuja produção ficou a cargo da própria Porsche. Também exclusivos desta versão de seis cilindros são os travões mais potentes vindos do 911, as jantes em estrela de cinco gomos com cinco parafusos, os dois carburadores Weber, a caixa de velocidades com escalonamento específico e ainda a direcção e suspensão dianteira directamente transplantadas do 911. Só foram construídas 3360 unidades entre 1970 e 1972, o que faz deste um dos 914 mais raros, mas não tanto quanto o 914-6 GT, feito no mesmo período mas equipado com a mecânica dos 911 de topo e destinado à competição. Mais raro ainda é o 916, do qual foram feitos cerca de vinte protótipos, equipados com o motor 2.4 de seis cilindros do 911E com 190 CV. Fazia 230 km/h e demorava 7 segundos dos zero aos 100 km/h.

A andar com ele
O interior do 914-6 é tão simples quanto o exterior. Nada de requintes, apenas um tablier rectilíneo com instrumentos bem grandes em frente ao volante, onde domina o conta-rotações e alguns indicadores secundários (relógio, manómetro de temperatura e voltímetro) ao longo da consola central. O assento está tão próximo do piso quanto este está da estrada, mas a posição de condução não é do tipo perna esticada. Pelo contrário, os joelhos de um condutor mais alto tendem a aproximar-se demasiado do fino volante, também devido à posição muito vertical deste, a obrigar a abrir as pernas.
Outro pormenor que identifica este 914-6 como um verdadeiro Porsche: o canhão da chave de ignição à esquerda do volante. Ao rodá-la o motor acorda mesmo atrás da nossa cabeça com o som inconfundível de um boxer.
Tomamos o ââ,¬Å"feelingââ,¬Â dos comandos principais e tudo parece normal menos num pormenor: a caixa de velocidades é do tipo invertido, ou seja, a primeira mete-se para a esquerda e para trás. De início, os arranques em segunda sucedem-se. Pela falta de hábito e porque o motor tem binário para disfarçar o erro (177 Nm às 4200 rpm).
O manejo do selector não tem a precisão esperada num Porsche. Isto porque a caixa de velocidades está muito longe, atrás do motor, o que implica ligações longas. Ainda assim, este 914-6 mostra-se vocacionado para dar prioridade ao divertimento e ao prazer de condução. A direcção é muito directa e comunicativa, permitindo colocar a afiada frente onde queremos e com a brusquidão que quisermos, sempre com grande leveza, enquanto o eixo traseiro se mostra desejoso de brincar se lhe quisermos dar rédea através do pedal do acelerador, mas recupera-se com grande segurança e nunca reage sem aviso. No fundo, tudo se resume numa palavra: equilíbrio. A sensação é de que temos nas mãos o carro perfeito para acrobacias em locais apropriados e nas mãos certas, mas sempre seguro, como um cão fiel, desejoso de brincar mas que nunca se vira ao dono.
Sem o tejadilho o divertimento só aumenta. É fácil retirá-lo e arrumá-lo na bagageira traseira, onde fica bem encaixado sem roubar muito espaço. A condução ganha então ainda mais sabor. Os ocupantes viajam bem protegidos do vento, quer os vidros laterais estejam abertos ou fechados e não há ruídos nem vibrações que denunciem falta de rigidez.
O 914 continua a torcer os narizes mais fundamentalistas da Porsche, mas a verdade é que já conquistou um lugar na história e influenciou o design de outros modelos que também se afirmaram. As parecenças com os posteriores Fiat X1-9 Bertone (1972) e Toyota MR-2 (1984) são tudo menos coincidências.











O motor que faz a diferença
O motor de 1991 c.c. de seis cilindros do 914-6 surge montado à frente do eixo traseiro, logo atrás do habitáculo. Foi transplantado do 911 e utiliza dois carburadores Weber e cabeças de árvore de cames simples e duas válvulas por cilindro. No topo do motor está uma grande ventoinha de arrefecimento, accionada por correia
e alojada numa cobertura plástica. A principal diferença entre o 914-6 e o 914-4 está na utilização de um motor 2.0 de seis cilindros no primeiro. O 914-4 só utilizou motores de quatro cilindros, mas com diversas cilindradas: 1.7; 1.8 e 2.0 litros.

Fonte: Revista Turbo

uma verdadeira lenda! 8)

ermac

e 1 lendia!  
na brinca...
ja foi 1 bom carro...na altura dele...