[Noticia] Televisão & Media - Maior protagonismo do jorn

Started by Nuno Coutinho, June 25, 2007, 09:45:45 AM

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Nuno Coutinho

*Maior protagonismo do jornalismo nas emoções

As notícias nas televisões portuguesas têm vindo a agravar o seu tom emocional, como provam os vários directos que foram feitos no caso "Maddie" "mesmo não existindo novidades, todos os dias havia directos da Praia da Luz, nem que fosse para relatar as idas às missas, às compras ou a criação de t-shirts por parte dos pais". Segundo a investigadora do departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho, Madalena Oliveira, a necessidade de directos "não dá ao jornalista o distanciamento necessário para analisar os factos", centrando-se, por isso, "a atenção não nos factos, mas nos faits-divers que vão prendendo o público".



Madalena Oliveira elenca a Guerra do Golfo e o 11 de Setembro como os momentos onde "o jornalismo das emoções" assumiu o seu protagonismo, a que se juntam, em menor escala, o 11 de Março (atentados em Madrid), o 7 de Julho (atentados em Inglaterra) e o tsunami asiático. Em Portugal, o grande momento foi "a queda da ponte de Entre-os-Rios", seguido dos "seis assassinatos em Fortaleza".

Na sua opinião, "os editores têm consciência que o discurso emotivo prende as atenções" escolhendo, por isso, temáticas com um interesse crescente pelo lado emotivo". Na guerra do Afeganistão "fala-se de crianças abandonadas e da situação das mulheres, por exemplo, onde se roça mais o emotivo do que o factual". No caso Maddie, Madalena Oliveira reconhece que "houve uma maior dramatização nas televisões do que nos jornais" e que "nos jornais de referência há ainda prudência na exploração das emoções". Mais grave "é quando os media fazem investigação que deveria estar reservada à justiça", pois o papel dos jornalistas "é reportar histórias e não provocar factos". "Os jornalistas não são polícias!".

Numa tese de doutoramento que vai defender, no próximo mês, as emoções são uma das componentes abordadas "Nesta matéria, em Portugal, há uma inflação de notícias ligadas à saúde. Madalena Oliveira defende que a informação "também é emotiva, mas se numa reportagem 10% são factos e o restante emoções, já tenho dúvidas que isso seja notícia".

A docente preconiza informação "com sensibilidade mas com bom senso", apesar de reconhecer que há inibições a este último "A ditadura de mercado e de audiências e aquilo a que Guillebaud chama de encenação, em vez de questionação dos factos". A solução está no metajornalismo: "jornalismo a fazer discursos sobre o próprio jornalismo", isto é, "a possibilidade do jornalismo se expor ao público dando-lhe a oportunidade de conhecer o jornalista, os seus constrangimentos e as suas emoções". Madalena Oliveira vê aqui uma vantagem: "não se discute só o ético e o deontológico mas há uma abertura, um mostrar-se ao público que é importante". Para a investigadora da UM, a abertura dos canais privados em 97 "foi determinantes para esta matéria e motivaram novas práticas jornalísticas", nomeadamente a introdução de páginas sobre os media nos jornais.


Fonte: JN

Teotónio Ricardo

É tudo uma cambada de chupistas que só querem é ganhar audiencias.